top of page

Doação de Espermatozoides e óvulos

Atualizado: 22 de mai. de 2022


Nas situações em que por razões médicas não é possível fazer tratamento com os ovócitos e espermatozoides do casal (porque estes não são produzidos, ou não têm qualidade suficiente para serem utilizados no tratamento, ou pelo risco de transmissão de doenças genéticas), o casal poderá recorrer a gâmetas de dadores ou à transferência de embriões doados.


Doação de óvulos

Em que situações é indicada a doação de óvulos?

o Há falência ovárica primária;

o Falha repetida da FIV/ICSI (falha de implantação após 5 tentativas e falha repetida de fecundação em ICSI);

o A idade da mulher >45 anos;

o A reserva ovárica significativamente diminuída;

o Doenças hereditárias (ex: doenças ligadas ao cromossoma X, doenças autossómicas recessivas, translocações cromossómicas,...).


Como ocorre a doação

1. Seleção da dadora- A dadora é selecionada pela clínica, tendo por base critérios médicos muito restritos, após um rigoroso processo prévio de seleção e exclusão de doenças genéticas e avaliação psicológica. Para a seleção da dadora, são também consideradas as características físicas (fenótipo) do casal.

2. Tratamento da dadora- A dadora é sujeita a um tratamento de estimulação ovárica durante uma a duas semanas. A estimulação é controlada por ecografias e análises ao sangue, e a punção dos óvulos é feita sob sedação.

3. Tratamento da recetora- Pode ser feito segundo vários protocolos terapêuticos, dependendo essencialmente do facto de ter ou não ciclos menstruais. Numa ou outra situação, é sempre necessária a toma de medicamentos ou em alguns casos uma única injeção no início do ciclo havendo depois a realização de ecografias de controlo e avaliação.

Nesta fase de preparação - que tem a duração de cerca de 15 dias e que nos casos de ciclos sincronizados decorre ao mesmo tempo que a estimulação da dadora – existe sempre uma estreita comunicação entre o casal e a clínica.

4. Transferência de embriões- Tal como acontece na FIV/ICSI com gametas do casal, após a punção da dadora, os ovócitos são transferidos para meios de cultura no laboratório, sendo de seguida tratados e injetados com um espermatozoide cada, passando de seguida para outros meios de cultura, dando origem a embriões.

Entre dois a três dias após a fecundação, os embriões (normalmente apenas dois) são transferidos para o útero da mulher, não sendo necessária anestesia. É recomendável que após a transferência de embriões a mulher evite esforços físicos intensos e, se possível, repouse em casa durante pelo menos 3 dias.

Desde o dia que antecede a transferência, a recetora começa a aplicar progesterona (em comprimidos vaginais ou gel) de modo a preparar o endométrio (tecido que reveste interiormente o útero) para que a implantação dos embriões possa ser bem sucedida.

Ainda que dos embriões transferidos, normalmente apenas um se implante, há que ter em consideração que, em algumas ocasiões se podem implantar os dois, dando origem a uma gravidez múltipla. Por este mesmo motivo, o número de embriões a transferir deverá ser apenas dois.


!!A lei Portuguesa define que se possam transferir o máximo de dois embriões, mas esta é sempre uma decisão clínica e cada caso terá de ser avaliado individualmente.


5. Criopreservação de embriões- Quanto aos embriões excedentários – aqueles que não foram utilizados no tratamento e apresentam condições de viabilidade – podem ser congelados e utilizados num ciclo a realizar posteriormente (nos casos em que o casal pretende ter um segundo filho, ou se a primeira tentativa falhar); também podem ser doados para investigação científica ou doados a outro casal; podem também ser destruídos. cabendo ao casal a decisão sobre o seu destino - desde que respeitadas as condições previstas na lei.


!!Tal como qualquer outro tratamento médico, a FIV/ICSI com doação de ovócitos pode provocar reações adversas que, no entanto, são raras. Quando estas surgem têm normalmente um carácter moderado e passageiro. As mais frequentes são calores, irritabilidade, cansaço e dores de cabeça. Normalmente passam ao fim de pouco tempo e não constituem motivo para alarme!!


Para doar óvulos existe um conjunto de pré-requisitos que as candidatas deverão cumprir:

- Ter entre 18 a 33 anos;

- Não ter doenças sexualmente transmissíveis;

- Não ser portador de doenças hereditárias.


Os tratamentos de FIV/ICSI com doação de ovócitos têm um custo elevado. Tal deve-se ao o facto de: se fazerem dois tratamentos em simultâneo (à recetora e à dadora) e ao rigoroso processo de seleção a que as candidatas a dadoras são sujeitas antes de serem aceites no programa de doação de ovócitos, (processo que envolve múltiplas análises e exames médicos). Embora o processo de doação de ovócitos seja essencialmente benévolo e de carácter altruísta, a lei portuguesa prevê que as dadoras recebam uma indemnização pelo tempo perdido e incómodo causado pelo tratamento.

Doação de espermatozoides

Em que situação indicada a doação de espermatozoides

o Quando o elemento masculino do casal não tem espermatozoides ou estes têm má qualidade;

o Nos casos em que existe o risco de transmissão de doenças genéticas à descendência;

o Os maus resultados da FIV ou ICSI foram causadas pelo esperma do parceiro;

o Quando o homem é portador de uma doença sexualmente transmissível e não é possível eliminar o vírus do sémen;

o Quando se detetam anomalias cromossómicas no sémen;

o Quando o grupo sanguíneo do homem é incompatível com o da parceira e ocorre consecutivamente eritroblastose fetal (quando os grupos sanguíneos da gestante e do feto são incompatíveis, o organismo materno produz anticorpos e prejudica a saúde do bebê);

o Em casos de mulheres sem parceiro masculino (o parceiro faleceu);

o Em casos de doenças como por exemplo casos de cancro em que o homem faz a doação do esperma antes de começar a quimioterapia.


Como ocorre a doação

Seleção do dador- O esperma utilizado é proveniente de dadores selecionados pelas clínicas, ou então de bancos de esperma certificados, com excelentes e rigorosos métodos de controlo de qualidade. O esperma é doado gratuitamente, cabendo ao(s) paciente(s) apenas o pagamento das despesas laboratoriais que envolvem a sua recolha, manutenção e tratamento. Todo o processo decorre com plena garantia de confidencialidade e com o consentimento informado do(s) paciente(s) em relação a todos os passos.

Recolha e manutenção do esperma- A colheita é feita por meio de masturbação. As amostras de sémen são armazenadas através de criocongelação em bancos de esperma e mantêm-se durante um período de quarentena de 6 meses, sendo depois feitos testes para garantir que o dador não tem nenhuma doença hereditária.

Inseminação com o esperma- O processo de inseminação com esperma de dador é idêntico ao da Inseminação Artificial, utilizando-se apenas o esperma criopreservado.


Para poder doar esperma existe um conjunto de pré-requisitos que os candidatos deverão cumprir:

- Ter entre 18 e 40 anos;

- Não ter doenças sexualmente transmissíveis;

- Não ser portador de doenças hereditárias;

- Realizar análises sanguíneas 6 meses após a última doação.


 
 
 

Comments


Post: Blog2_Post
  • Facebook

©2022 por Mais Fertilidade. 

bottom of page